O verdadeiro Gap
Passando um ano nos Estados Unidos tive a oportunidade de compartilhar informações e experiências com os melhores criadores de Labrador, participar e assistir importantes exposições e provas de caca. E também conhecer verdadeiras lendas vivas da raça como Lobuff Bear Necessities campeão de Wesminster, Caer Bean Mr. PickWick uma revelação como padreador campeão da classe de padreador de Potomac, o Campeão Mundial e American Tabathas Rollick Carowby, campeão americano Sandyland Marshall, a revelação dos cães chocolates Dickendall Amberlyn um dos primeiros chocolates a ganhar uma exposição especializada entre muitos outros cães, canis, criadores, juízes e treinadores de caca. Com isso venho verificando um gap composto por três pontos principais que precisa ser fechado entre a criação brasileira e internacional, porem esse gap não reside na conformação de nossos cães que por essa os criadores brasileiros tem que se sentir muito honrados.
Mantendo uma conversa com o juiz Eugene Czerwinski, um dos juízes da exposição especializada realizada em 2001 pelo clube de Labrador de São Paulo em associação com o clube Paulistano, constatei o que eu já desconfiava.. Segundo Eugene, a criação brasileira esta muito próxima da criação internacional em termos de conformação. A qualidade das fêmeas e muito próxima da linha das fêmeas nos EUA e na Europa principalmente as chocolates e as pretas, já as fêmeas amarelas e os machos em geral também estão muito próximos mas tem algum espaço para uma melhoria marginal ao longo das próximas gerações.
Essa exposição foi de fundamental importância para a avaliação da criação brasileira e o juiz não poderia ter sido melhor escolhido pela diretoria do clube do Labrador de São Paulo que esta de parabéns. Contudo o verdadeiro "gap", ou seja, espaço para melhora fica com relação a alguns pontos que são pouco explorados pelos criadores brasileiros, às vezes, por falta de recursos tecnológicos, financeiros e logísticos. Não por falta de interesse ou desejo de se realizar dos criadores brasileiros.
O primeiro ponto crítico são os certificados de saúde. No Brasil, ate hoje, o único exame clínico feito com frequência pelos criadores brasileiros e o exame de displasia coxofemural que 'e consenso mundial na raça do Labrador Retriever e muitas outras raças. Contudo, exames realizados nos cães retrievers nos Estados Unidos e Europa como PRA(exame de retina), displasia de ombros e cotovelos e as vezes ate mesmo do coração são realizados com menor frequência por criadores brasileiros mas precisam passar a serem feitos com mais frequência. Alguns criadores podem ate se sentirem ofendidos por essa opinião mas na verdade não deveriam pois no Brasil o acesso a esses exames ainda 'e muito restrito, e o fato de não estarem fazendo esses exames não quer dizer que suas criações são melhores ou piores que as de outros lugares do mundo. O 'e importante à consciência de que à medida que a criação brasileira se distancia dos cães importados, que foram checados em todos esses exames, garante em parte que cães provenientes desses cães nas primeiras gerações têm menor chance de apresentarem qualquer problema clinico.
O segundo ponto critico são as provas de caca. E sabido que o Brasil 'e um a pais que não tem tradição alguma na caca de aves migratórias, o que praticamente impediu ate hoje a realização de provas e testes de aptidão de caca. Mas apos quase um ano aqui nos Estados Unidos aprendi e gostaria compartilhar com meus companheiros criadores deixando claro que não e mas mandatório o uso de aves migratórias selvagens para realização dessas provas. Geralmente as provas são realizadas com aves criadas em cativeiros e em épocas que não ha aves, essas provas são feitas com os "bumpers"(barras de borracha) e essência de aves. Essas provas são de fundamental importância, pois ajuda o criador selecionar os labradores que detém o extinto e aptidão de serem treinados. E também realizar a tarefa principal pela qual a raça foi criada e desenvolvida e ao longo dos anos aprimorada. Mary Weist proprietária do canil Beechcroft, um dos mais tradicionais dos Estados Unidos, enfatizou em uma conversa informal em uma das reuniões de nosso clube que apesar dela própria não realizar os trabalhos de campo em seus cães, clientes e coproprietários de seus cães fazem esse trabalho para ela. E que mesmo que o objetivo principal de um criador seja a conformação de seus cães o teste nos campos e indispensável.
Podemos verificar que os maiores ícones da raça do labrador retriever nos Estados Unidos e na Europa tem pelo menos o Titulo de caca de algum clube, e na maioria das vezes tem pelo menos o titulo de Junior Hunter sejam esses cães do estilo americano ou britânico que são os cães que mais nos importam em termos de estilo. Os criadores brasileiros não tem com o que se preocupar em relação a realização dessas provas no Brasil, pois na opinião de Jackie Mischou proprietária do canil Caer Bean a maioria dos labradores tem os gens prontos para realização do trabalho de campo e ela acha que os criadores brasileiros vão ter vontade de chorar de emoção ao verem seus cães fazendo um verdadeiro retrieve no campo. O risco de se descobrir que um cão não faz o trabalho, segundo ela com o treinamento apropriado, e muito pequeno e por outro lado o retorno de se descobrir que um cão e um verdadeiro retreiver e enorme.
Contudo essas duas distintas criadoras são categóricas em dizer que se um cão não tem todos os testes clínicos propriamente feitos e com resultados satisfatórios, e se não tem aptidão ao trabalho de caca, não permanecem em seus programas de criação e não servem para reprodução o que e verdade para maioria dos grandes canis nos Estados Unidos e Europa.
O terceiro ponto com espaço para melhora vem não como um ponto isolado e sim como resultado e resposta para todas as perguntas a que pairam no ar ate agora. A criação de clubes da raça com objetivos verdadeiros de aprimoramento e suporte aos criadores além da organização de eventos como clinicas de olhos, clinicas de ortopedia, exposições e provas e testes de caca são fundamentais. A maioria das principais raças nos Estados Unidos tem seus clubes locais e específicos, que procuram trabalhar democraticamente para o desenvolvimento da raça e única maneira de fecharmos no Brasil o gap em relação a criação internacional.
Sabemos que tudo que 'e novo demanda trabalho, mas os criadores mais antigos e experientes já fizeram um trabalho de muito sucesso ate aqui, então acho que deveria ficar parra os criadores mais recentes, contando com o apoio desses criadores mais antigos, continuar o excelente trabalho e levar para o próximo nível a criação brasileira.
| < Prev | Next > |
|---|